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"Ora fundo de rio, brotado do céu, ora brasa, inferno de quinta: é a dualidade que costura o álbum Avôa, onde pingam delírios e a densidade das questões interiores vira bruma do mar. Oto Gris são outras cores, é outro cinza, por trás desse que se vê quando chove. É lá dentro, úmido, e atravessa porque na agonia das horas é a poesia a serviço da imagem e é o som desfilando caminhos inventivos em que predomina a sensibilidade e a criatividade do guitarrista e compositor Davi Serrano. Os dedilhados criam texturas de mantra e vestem as palavras em cenas de suspensão e melancolia. Avôa são cinco em ato contínuo de reflexão e solitude. Davi Serrano na guitarra e voz, Jonas Gomes no baixo e Victor Bluhm na bateria, somadas as participações de João Leão nos teclados e sintetizadores

e Igor Caracas na percussão e vibrafones, conseguem criar paisagens que levam além e para dentro, numa viagem de intensa delicadeza minimalista. A sonoridade esparsa guarda nos silêncios o poder do entendimento. Se há dúvidas sem pressa, as constatações são certeiras. Os ponteiros vão dizer: a mão que dá é a mesma do tapa. A produção de Saulo Duarte e Klaus Sena é o beijo das ondas na praia tranquila, porém inquieta, que se estende por todo o disco de estréia da banda cearense. No sonho a voz da saudade ganha sol e sombra na medida do calor que move e ainda chove. Oto Gris comove nem quando nem como se sabe no cativeiro absurdo da felicidade."

Diogo Soares (Los Porongas)